Wednesday, April 25, 2007

A Guerra Inacabada

Saddam Hussein podia ser um ditador sedento de sangue que matou milhares de inocentes do seu povo, mas era um mestre da sobrevivência política. Durante uma festividade muçulmana no Iraque, ele fez o seguinte comentário sarcástico: se os Estados Unidos quisessem acabar com seu regime, ele apoiaria a decisão, pois seria uma decisão mais “civilizada” do que atacar iraquianos inofensivos. E eu não poderia estar mais de acordo, senão vejamos. A sua declaração está carregada de ironismo e cinismo: Saddam sempre esteve disposto a permitir o sofrimento da população iraquiana – na guerra contra o Irão, durante a Guerra do Golfo e quando foram impostas sanções sobre o Iraque – no entanto os EUA nunca impediram que ele permanecesse no poder. Saddam Hussein nunca esteve disposto a sacrificar suas ambições para aliviar o sofrimento de seu povo, mas os Americanos nunca se intrometeram na vida Iraquina, certamente por razões não convenientes.

Ora, após o ataque de 11 de setembro ao World Trade Center, o ditador iraquiano perdeu muitos de seus antigos aliados. Desde a tragédia, vários países árabes têm se distanciado de nações que expressam atitudes anti-americanas. Estes países temem consequências políticas, econômicas e até mesmo militares, que podem sofrer se os Estados Unidos suspeitarem que eles apoiam a guerra fundamentalista islâmica contra a América. Portanto, o ditador do Iraque encontrava-se isolado e à frente de uma administração norte-americana que estava disposta a tomar medidas militares para removê-lo do poder e como mais tarde se veio a assistir, estava também disposta a apanha-lo "vivo ou morto" segundo G.W. Bush. A execução foi um espetáculo pobre e cruel que os Estados Unidos proporcionaram ao mundo, que só teve o mérito ou demérito de avultar a raiva dos fundamentalistas islâmicos.

O ataque terrorista de 11 de setembro demonstrou que os fundamentalistas estão dispostos a cometer atrocidades inimagináveis. Saddam Hussein não era um fundamentalista, mas era considerado um déspota perigoso, mesmo por muitos líderes árabes.
Os Estados Unidos, com o derrube e executação de Saddam Hussein, tentaram claramente evitar outra tragédia como a que aconteceu a 11 de setembro. Mas não será fácil construir uma coligação contra o Iraque. Será que os Estados Unidos estão dispostos a lutar contra o Iraque mesmo sem o apoio de outros países árabes? O pai do actual presidente restaurou a moral das forças militares dos Estados Unidos, estilhaçada na sua guerra anterior, como vem se recordam, a miserável guerra proclamada pelos Americanos ao Vietname. Porém, apesar dos Estados Unidos terem facilmente derrotado o Iraque, não foram capazes de alcançar o seu objectivo principal de instaurar a paz no Iraque, e muito menos, conseguiram impedir os fundamentalistas de cometerem novos ataques e atrocidades ao país dos sonhos e das novas oportunidades. George W. Bush parece estar determinado a completar a missão militar que o seu pai deixou inacabada, como relata a cada conferênica, mas os Árabes enchem-se de ódio a cada gota de sangue derramada pelo Islão. Uma guerra inacabada portanto, sem limites e direitos humanos.

LIPOR - GESTÃO, VALORIZAÇÃO E TRATAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS


LIPOR – O CONSUMO SUSTENTÁVEL DO FUTURO

A LIPOR – Serviço Inter municipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto – é a entidade responsável pela gestão, valorização e tratamento dos resíduos produzidos pelos oito municípios que a integram: Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim, Valongo e Vila do Conde.Constituída como Associação de Municípios em 1982, a Lipor tem vindo a implementar uma gestão integrada de resíduos, recuperando, ampliando e construindo infra-estruturas, além de desenvolver campanhas de sensibilização junto das populações.
A LIPOR tem como politica desenvolver acções de informação e sensibilização focalizando o cidadão como agente de mudança para a sustentabilidade do meio ambiente. Educar, formar, informar e partilhar conhecimentos são componentes chave na realização desta política, de modo a contribuírem para o crescimento sustentável e sucesso da LIPOR.Uma das acções de promoção da LIPOR recai na visita às instalações onde se processa a reciclagem. As visitas duram pouco mais de meia hora, são dirigidas a grupos e realizam-se sob marcação através da ficha de inscrição on-line (http://www.lipor.pt/) ou através da Eco linha – 800 200 254.O circuito da reciclagem é acompanhado pela informação dada pelos profissionais da LIPOR que explicam as diferentes etapas do processo de reciclagem. Uma das profissionais de informação da LIPOR chama-se Fátima Nogueira, e é uma das responsáveis pela orientação e informação dos visitantes ao circuito de reciclagem da LIPOR. Fátima Nogueira começa por esclarecer que “na LIPOR não se realiza a reciclagem mas sim o tratamento dos resíduos sólidos urbanos”. E justifica: “Esse tratamento é feito de três formas diferentes.
Na LIPOR II recebemos o lixo indiferenciado onde o queimamos e através dessa queima produzimos energia eléctrica. No centro de triagem separamos os resíduos e enviamos para reciclar. Na central de valorização orgânica através dos resíduos separados mas indiferenciados fazemos composto que tem o nome de Nutrimais.” Os materiais recicláveis e os materiais não recicláveis são quase sempre alvo de dúvidas dos visitantes, e Fátima Nogueira informa: “No centro de triagem separamos na linha dos corpos planos o cartão e a mescla. Na linha dos corpos volumosos separamos, o PET, PVC, PEAD, Filmes, tetra pack, esferovite, aço e alumínio. Em ambas as linhas temos produtos rejeitados que são encaminhados para a Lipor II.” A LIPOR preocupa-se com a sensibilização das crianças para a reciclagem, e espera transmitir essa educação ambiental de forma eficaz sobretudo nos mais novos: “O gabinete de informação da LIPOR trabalha nas escolas dos oito municípios onde sensibiliza os diferentes níveis etários, bem como empresas quando nos solicitam acções de informação. Nas escolas a sensibilização também é feita aos professores, auxiliares de educação e funcionários” salienta Fátima Nogueira.
Por último, questionada sobre se o trabalho de gestão de resíduos da LIPOR contribuirá para um futuro mais verde, Fátima Nogueira salienta a importância da preservação do meio ambiente para a instituição. “A preservação do ambiente é muito importante para nós pois esta empresa trata dos resíduos dos oito municípios. Todo este trabalho tem a finalidade de melhorar o tratamento de resíduos de uma forma adequada para cada tipo de resíduo, daí termos estruturas de tratamento diferentes” conclui.


PEGADA ECOLÓGICA SOBRE A TERRA

Para sabermos mais sobre a importância da reciclagem e dos recursos sustentados na biodiversidade, será necessário falar com um profissional nesta matéria e, neste sentido, obter informação mais detalhada sobre a reciclagem, as energias alternativas e, sobretudo, questionar o futuro do planeta em matéria do ambiente. Ora, os engenheiros do ambiente estudam os problemas ambientais de forma integrada, nas suas dimensões ecológica, social, económica e tecnológica, com vista a promover a adequada gestão de qualquer sistema ambiental, assegurando um desenvolvimento equilibrado e sustentável. Pedro Duarte, professor na Universidade Fernando Pessoa do curso de Engenharia do Ambiente e da Saúde e especializado em Ecologia e Gestão de Ecossistemas, respondeu a todas estas questões de carácter ambiental:

O planeta vive sob a intensa pressão do aquecimento global e possivelmente sob uma situação de ponto sem retorno. Para que passos caminha o futuro do planeta?
Se entender por ser mais verde, ser um futuro em que as questões ambientais são tidas mais em atenção e portanto as pessoas têm mais sensibilidade para o impacto que a nossa sociedade causa no meio ambiente, eu acho que sim, acho que estamos a viver uma época bem mais verde daquela que se vivia a trinta anos atrás. Espero e acredito que essa nossa forma de encarar os problemas ambientais vai adquirir mais peso na nossa vida no futuro.

Na sua perspectiva a reciclagem é suficiente para inverter a tendência de destruição do meio ambiente?
A reciclagem não chega para inverter a tendência para a destruição ambiental. Se pensarmos que a destruição ambiental se prende com o desaparecimento de um conjunto de recursos, a perda da capacidade de alguns eco sistemas naturais de prestarem os serviços que sempre nos prestaram nomeadamente servirem de destino final para os nossos resíduos, eu penso que a reciclagem ajuda mas não é suficiente. Há muitas coisas que nós reciclamos e que se calhar podíamos reciclar menos se utilizasse-mos materiais mais adequados, e é preciso não esquecer que a reciclagem gasta energia e também gera poluentes para o meio ambiente e portanto o ideal é praticarmos a reciclagem sim, mas reciclar o mínimo de vezes possível. E, para isso, é preciso que os materiais que nós utilizamos sejam materiais mais duradouros em vez de utilizarmos coisas que de facto são de usar e deitar fora e que tem uma pegada ecológica realmente muito grande.

Os recursos são múltiplos mas limitados. Que medidas deveriam ser tomadas para resguardar e recuperar os recursos naturais? Optar por energias alternativas?
Hoje em dia sabe-se, ou pelo menos estima-se que nós humanos globalmente pensamos que, ao ritmo em que tiramos recursos da terra e ao ritmo que devolvemos à terra poluentes, resíduos das nossas actividades, estamos a utilizar qualquer coisa como, 1,2 ou 1,3 terras, ou seja, estamos a utilizar mais capacidades do que aquelas que o planeta tem. Isto significa que há um conjunto de recursos que estão de facto a desaparecer a um ritmo muito acelerado e portanto se nós não modificarmos as nossas atitudes, os nossos hábitos de consumo e de geração excessiva de resíduos, senão reduzirmos aquilo a que se chama a nossa pegada ecológica sobre a terra é obvio que vamos chegar a uma situação de grande dificuldade.

A industrialização iniciou um processo de consumo de massas a vários níveis. Este processo poderá conduzir a um estado de poluição sem sustento?
Se nós continuarmos a aumentar a taxa a que retiramos os recursos da terra, não só o petróleo, não só o gás natural, não só carvão, não só os combustíveis mas também as matérias primas e a taxa a que as depositamos de novo para a terra sem o tratamento adequado, o que acontece é que naturalmente a obtenção desses recursos, muito antes de eles desaparecerem, vai começar a implicar um custo de exploração incomportável.

Produtos biológicos, materiais recicláveis, e energias alternativas são três termos essenciais na renovação ambiental. Estes termos adquirirão maior importância no futuro?
Sim. As energias não há quase dúvida que terão e por isso a União Europeia quer até 2020 suportar até 20% do seu consumo energético. As energias renováveis vão ter maior importância, agora provavelmente nós vamos ter de descobrir algumas fontes energéticas de grande qualidade para substituírem as existentes porque as energias renováveis tal e qual estão hoje em dia não permitem suprimir o nosso consumo energético e terá de existir uma revolução tecnológica importante no que ao ambiente diz respeito.


CUIDAR DO AMBIENTE TAMBÉM É UM DEVER DO CIDADÃO

A preocupação em cuidar do meio ambiente para evitar a regressão e degradação da natureza e melhorar a qualidade de vida no planeta, não é só um dever das grandes empresas como a LIPOR. O cidadão tem também responsabilidades ambientais que devem ser cumpridas. Mas antes de esperar que os outros façam algo, podemos começar já a fazer a nossa parte individualmente. Cuidar do meio ambiente também é um dever do cidadão. Uma primeira e importante iniciativa é cuidar do próprio lixo, diminuindo o desperdício, separando-o por materiais e encaminhando-o para centros de reciclagem.
Maria João Guerreiro, professora na Universidade Fernando Pessoa do curso de Engenharia Civil, dá o exemplo, cumpre o seu dever como cidadã e mostra que um mundo mais verde depende apenas de cada de um de nós.

Separa os lixos em sua casa? Com que frequência pratica a reciclagem?
Sim. Eu separo o lixo em casa, sempre que tenho lixo que possa separar faço-o todos os dias.

Acha que a educação ambiental é fundamental para um futuro mais limpo?
Sim. Acho que a educação é fundamental e passo essa ideia de uma maneira até bastante activa. Por exemplo, na escola dos meus filhos eu fiz uma campanha junto dos demais pais e junto à administração da escola para se tornarem numa Eco escola e tive bons resultados. Hoje em dia a escola dos meus filhos é uma Eco escola.

Tem conhecimento de produtos reciclados no mercado? No momento de compra, costuma optar pelos produtos reaproveitados?
Neste momento não é uma prioridade. Quando vou às compras realmente não procuro os produtos reciclados. Sempre que há algum produto que seja mais amigo do ambiente, eu procuro dentro do orçamento, os produtos que sejam mais amigos do ambiente, como por exemplo, os lava-loiças, tenho uma tendência para comprar esses produtos mais amigos do ambiente.

A reciclagem devia ser um acto voluntário ou uma imposição sujeita a coima?
Não acho que deva ser feita através da imposição. As campanhas têm atingido o público cada vez mais, e acho que as campanhas devem continuar a ser feitas para a sensibilização da população. Acho que as pessoas cada vez mais reciclam em função dessas campanhas.

De que forma espera contribuir para um futuro mais verde?
Reciclando obviamente e sensibilizando os meus filhos, os meus alunos dentro da instituição, e sobretudo, dando o exemplo.Preocupa-se com a questão do meio ambiente?

É sensível à causa dos recursos sustentados e à preservação ambiental?
Obviamente. Eu acho que qualquer cidadão deve ter esse tipo de preocupação. Sou preocupada e sou sensível e tento dentro do possível proteger o meio ambiente.

Saturday, March 31, 2007

O papel do Jornalista


Uma das principais características de um jornalista, sustentou Juan Luís Cebrian, é a a sua curiosidade. Pierre Bourdieu (famosos sociólogo), por seu lado, entende que o jornalista é uma entidade abstracta que não existe; o que existe são jornalistas diferentes segundo o sexo, a idade, o nível de instrução, o jornal ou meio de comunicação. Ser jornalistas, acima de tudo, é ter um compromisso com a verdade de interesse público. É ter um compromisso com a própria sociedade, tornar público os factos e acontecimentos que a influenciam. Isso implica muitas responsabilidades e trabalho constante e árduo. Na maioria das vezes, o jornalista tem de se cingir ao estilo da instituição onde se encontra a trabalhar, mesmo que isso signifique abrir mão de colocar no seu trabalho coisas que julgue importantes. Ao mesmo tempo, é uma profissão muito recompensadora, nomeadamente quando um jornalista consegue mostrara algo que tem uma repercussão positiva na sociedade.

Entre as características pessoais que um jornalista deve ter, podemos citar: capacidade de comunicação e síntese, criatividade, curiosidade, espírito de investigação, capacidade de agir e pensar sobre pressão, dinâmica, honestidade e consciência de compromisso social, entre outras. É necessário também ser objectivo, ter elevada capacidade de raciocínio e de análise. Em termos comportamentais, um bom jornalista tem de saber relacionar-se com as suas fontes e ser persistente no contacto, de forma a aumentar a probabilidade de recepção de informação. Tem de ter elevada capacidade de adaptação, resistência ao stress e ser empreendedor, isto é, querer ir sempre mais alem. Compete ainda ao jornalista o acto inaugural da sua actividade – distinguir o notável – para isso supõe-se que seja feita uma primeira leitura da actividade
O jornalista assume-se como intérprete da actualidade, entendida como o momento presente da realidade. Um jornalista é tudo isto mais o local de onde olha o mundo, ou seja, ele observa-o através das suas lentes culturais e sociais, mas o seu ângulo de visão é determinado pelo local de onde olha, que é o seu posto de trabalho. Porém, o jornalista atinge a sua expressão e existência na forma como consegue afirmar-se profissionalmente e no modo como se relaciona com os restantes elementos da mesma cadeia jornalística.


Nuno Oliveira

No topo do mundo


O montanhismo é visto por muitos como um desporto radical. Contudo, descobrimos que não é um desporto e de radical tem muito pouco. Nos tempos que hoje correm, esta actividade é vista como algo que passa por um passeio na montanha, escalada em que ambas as mãos são, ocasionalmente, utilizadas e escalada em rocha -ou gelo- onde ambas as mãos são constantemente usadas e a técnica, assim como o material ,são indispensáveis.
Em Portugal, o montanhismo é um desporto com um número considerado de praticantes e para já, a tendência é para aumentar.
São vários os Núcleos de Montanhismo neste pais à beira mar plantado, mas para um melhor esclarecimento desta actividade, fomos falar com João Graça, também conhecido por Jonas, um dos fundadores do Núcleo de Montanhismo de Espinho e Nuno Miguel, um jovem escalador do Núcleo espinhense, acreditado pela Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada.


Na gigante Nave Municipal de Espinho, situada na freguesia de Silvalde, fomos ao encontro dos jovens João Graça e Nuno Miguel que nos receberam com uma grande simpatia para uma pequena conversa sobre o montanhismo.
Para o comum dos mortais, esta actividade é vista como um desporto radical, pois envolve a existência de um certo perigo e adrenalina a correr pelas veias. Porém, tal ideía parece não ser a mais correcta, pois segundo João Graça “fazer montanhismo não é a mesma coisa que fazer Bungee jumping. A essência do montanhismo é ir para a serra fazer caminhadas, de forma a desanuviar o stress que tem acumulado durante a semana toda”.
O termo “escalada” e montanhismo, estão frequentemente ligados e a confusão pode ser grande. No que toca a escalda, Jonas começou por nos explicar que essa actividade “passa por escalar com cordas uma parede em rocha natural ou uma parede pré fabricada” para de seguida acrescentar que “no montanhismo pode ser simplesmente fazer uma caminhada por um trilho numa serra”.

Montanhismo (não) é desporto

Esclarecido o imbróglio, confrontamos o dirigente do Núcleo de Montanhismo de Espinho com a típica questão se estas actividades podem ser vistas como um desporto. Entre sorrisos, João Graça foi matreiro na resposta e frisou o facto de esta ser uma questão traiçoeira. Porém, a sua resposta não demorou a surgir. “O montanhismo não pode ser considerado como um desporto, visto que não existe competição.”, começou por proferir Jonas para acrescentar que “na escalada há competições e aí pode ser visto como um desporto, mas normalmente, o prazer de conseguir subir uma parede, é ultrapassado pelo prazer de ganhar uma competição, daí ser difícil explicar”.

O exemplo João Garcia

Enquanto decorria a conversa, não pudemos deixar de reparar em fotos do suprasumum do montanhismo em Portugal, João Garcia. Entre dois dedos de conversa, Jonas contou-nos que conheceu João Garcia por acaso. “É uma pessoa que transpira humildade. Uma vez estava a escalar em Sintra, e ele estava lá a dar corda a um rapaz. Não o conhecia, mas comecei a conversar e a dado ponto perguntei-lhe porque é que não estava a escalar, respondendo-me ele que: congelações e tal… Perguntei-lhe o que se passou, pois em Portugal era difícil ter lhe acontecido tal. Depois de tanta insistência ela lá acabou por explicar que foi numa montanha com mais de oito mil metros, que lhe gelou as pontas dos dedos. Falamos mais um pouco e ficamos amigos desde aí. Normalmente, trocamos correspondência e ele aparece por aí É um exemplo de pessoa.”
Mas não há muitas pessoas iguais a João Garcia. Porquê? Será que os escaladores portugueses não são tão bons como os estrangeiros? João Graça dá a resposta: “No presente, temos bons praticantes de escalada, mas nunca poderão ser profissionais pois o dinheiro não chega. Na França, por exemplo, existem muitos profissionais porque tem imensos apoios. O Garcia é um caso à parte, pois trabalhou imenso para chegar onde chegou e a vida dele é o montanhismo” rematou Jonas.

“Prazer de admirar paisagens maravilhosas”

Mas o que levará alguém a praticar montanhismo ou escalada? A resposta foi dada por um dos muitos atletas acreditados pela Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada que treinam na Nave Desportiva.
Sem rodeios, o jovem Nuno Miguel deu uma resposta adaptada à realidade a que ele viveu. “Para mim esta actividade é muito gratificante pois além de trabalhar o corpo, também trabalho a mente.”, começou por explicar o escalador para depois acrescentar “que não há nada no mundo que pague o prazer de subir a uma montanha que, aparentemente, parecia impossível. A juntar a tudo isto, tenho o prazer de admirar paisagens maravilhosas que só as vejo porque gastei litros de suor para escalar as rochas”, conclui Nuno Miguel.

Nuno Oliveira

Friday, March 30, 2007

Jornalismo… a quanto obrigas



A violência continua a fermentar no Médio Oriente. Mais uma vez, Israel e vizinhos estão num estado de guerra. O tempo parece dar razão aos que sempre julgaram que com o Hamas no poder, a paz seria mais difícil. Com isto, muitas das simpatias internacionais transferiram-se para o lado israelita, ou pelo menos hesitam defender uma organização tão pouco recomendável e considerada extremista. Quando um soldado israelita foi raptado, muitos acharam compreensível a resposta de Israel.
Mas será que um rapto vale uma guerra? Não perderá Israel a razão com uma resposta tão desproporcionada? Não estará assim a alienar as simpatias recém-conquistadas?
Parece que no Médio Oriente é necessário recorrer ciclicamente à violência para reavivar o gosto pela paz. Mas para que esta regresse é preciso conter a violência dentro de certos limites. É preciso que quem se converteu à guerra não chegue a tais extremos que se veja impossibilitado de se reconverter à paz.
A cobertura noticiosa de cenários de guerra, em que as deslocações dos jornalistas são bastante controladas, exige destes um forte sentido de auto controlo, para que não se transformem em meros retransmissores de propaganda alheia e para que não passem ao lado da realidade (um dos típicos problemas do jornalismo actual)
As reportagens feitas em zonas controladas pelo Hezbollah a que vamos assistindo parecem, regra geral, clones umas das outras. Têm todas declarações “espontâneas” de populares, a amaldiçoar a América e Israel. Têm todas gente aos saltos e aos berros, jurando querer devotar o resto das suas vidas à causa do Hezbollah. Têm todas as mesmas ambulâncias, convenientemente acabadas de partir rumo a mais uma emergência. São tão parecidas que parecem resultar do mesmo guião. A questão é: quem anda a escrever este guião?
Muitas das imagens que nos são servidas à hora do jantar não são espontâneas, nem resultam do trabalho apurado de um qualquer cameraman. Pelo contrário, são encenações da realidade servidas de bandeja aos repórteres, para que estes possam captar imagens apelativas sem muito trabalho.
Desconfio que os escrúpulos da maioria dos jornalistas não os impeçam de usar estas imagens. Como diz muito marialva a propósito do silicone no peito das senhoras, mais vale uma boa imitação do que um mau original. Neste caso, mais vale uma boa imagem encenada do que uma má imagem espontânea, sobretudo quando a primeira passa bem pela segunda.
Pode até acontecer que a encenação não se afaste muito da realidade. Pode até ser que um pouco de silicone televisivo torne a reportagem mais apelativa, a ainda por cima mais fácil de realizar. Mas esta opção tem riscos, riscos que os jornalistas deviam ponderar se vale a pena correr.


Nuno Oliveira