Saturday, March 31, 2007

O papel do Jornalista


Uma das principais características de um jornalista, sustentou Juan Luís Cebrian, é a a sua curiosidade. Pierre Bourdieu (famosos sociólogo), por seu lado, entende que o jornalista é uma entidade abstracta que não existe; o que existe são jornalistas diferentes segundo o sexo, a idade, o nível de instrução, o jornal ou meio de comunicação. Ser jornalistas, acima de tudo, é ter um compromisso com a verdade de interesse público. É ter um compromisso com a própria sociedade, tornar público os factos e acontecimentos que a influenciam. Isso implica muitas responsabilidades e trabalho constante e árduo. Na maioria das vezes, o jornalista tem de se cingir ao estilo da instituição onde se encontra a trabalhar, mesmo que isso signifique abrir mão de colocar no seu trabalho coisas que julgue importantes. Ao mesmo tempo, é uma profissão muito recompensadora, nomeadamente quando um jornalista consegue mostrara algo que tem uma repercussão positiva na sociedade.

Entre as características pessoais que um jornalista deve ter, podemos citar: capacidade de comunicação e síntese, criatividade, curiosidade, espírito de investigação, capacidade de agir e pensar sobre pressão, dinâmica, honestidade e consciência de compromisso social, entre outras. É necessário também ser objectivo, ter elevada capacidade de raciocínio e de análise. Em termos comportamentais, um bom jornalista tem de saber relacionar-se com as suas fontes e ser persistente no contacto, de forma a aumentar a probabilidade de recepção de informação. Tem de ter elevada capacidade de adaptação, resistência ao stress e ser empreendedor, isto é, querer ir sempre mais alem. Compete ainda ao jornalista o acto inaugural da sua actividade – distinguir o notável – para isso supõe-se que seja feita uma primeira leitura da actividade
O jornalista assume-se como intérprete da actualidade, entendida como o momento presente da realidade. Um jornalista é tudo isto mais o local de onde olha o mundo, ou seja, ele observa-o através das suas lentes culturais e sociais, mas o seu ângulo de visão é determinado pelo local de onde olha, que é o seu posto de trabalho. Porém, o jornalista atinge a sua expressão e existência na forma como consegue afirmar-se profissionalmente e no modo como se relaciona com os restantes elementos da mesma cadeia jornalística.


Nuno Oliveira

No topo do mundo


O montanhismo é visto por muitos como um desporto radical. Contudo, descobrimos que não é um desporto e de radical tem muito pouco. Nos tempos que hoje correm, esta actividade é vista como algo que passa por um passeio na montanha, escalada em que ambas as mãos são, ocasionalmente, utilizadas e escalada em rocha -ou gelo- onde ambas as mãos são constantemente usadas e a técnica, assim como o material ,são indispensáveis.
Em Portugal, o montanhismo é um desporto com um número considerado de praticantes e para já, a tendência é para aumentar.
São vários os Núcleos de Montanhismo neste pais à beira mar plantado, mas para um melhor esclarecimento desta actividade, fomos falar com João Graça, também conhecido por Jonas, um dos fundadores do Núcleo de Montanhismo de Espinho e Nuno Miguel, um jovem escalador do Núcleo espinhense, acreditado pela Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada.


Na gigante Nave Municipal de Espinho, situada na freguesia de Silvalde, fomos ao encontro dos jovens João Graça e Nuno Miguel que nos receberam com uma grande simpatia para uma pequena conversa sobre o montanhismo.
Para o comum dos mortais, esta actividade é vista como um desporto radical, pois envolve a existência de um certo perigo e adrenalina a correr pelas veias. Porém, tal ideía parece não ser a mais correcta, pois segundo João Graça “fazer montanhismo não é a mesma coisa que fazer Bungee jumping. A essência do montanhismo é ir para a serra fazer caminhadas, de forma a desanuviar o stress que tem acumulado durante a semana toda”.
O termo “escalada” e montanhismo, estão frequentemente ligados e a confusão pode ser grande. No que toca a escalda, Jonas começou por nos explicar que essa actividade “passa por escalar com cordas uma parede em rocha natural ou uma parede pré fabricada” para de seguida acrescentar que “no montanhismo pode ser simplesmente fazer uma caminhada por um trilho numa serra”.

Montanhismo (não) é desporto

Esclarecido o imbróglio, confrontamos o dirigente do Núcleo de Montanhismo de Espinho com a típica questão se estas actividades podem ser vistas como um desporto. Entre sorrisos, João Graça foi matreiro na resposta e frisou o facto de esta ser uma questão traiçoeira. Porém, a sua resposta não demorou a surgir. “O montanhismo não pode ser considerado como um desporto, visto que não existe competição.”, começou por proferir Jonas para acrescentar que “na escalada há competições e aí pode ser visto como um desporto, mas normalmente, o prazer de conseguir subir uma parede, é ultrapassado pelo prazer de ganhar uma competição, daí ser difícil explicar”.

O exemplo João Garcia

Enquanto decorria a conversa, não pudemos deixar de reparar em fotos do suprasumum do montanhismo em Portugal, João Garcia. Entre dois dedos de conversa, Jonas contou-nos que conheceu João Garcia por acaso. “É uma pessoa que transpira humildade. Uma vez estava a escalar em Sintra, e ele estava lá a dar corda a um rapaz. Não o conhecia, mas comecei a conversar e a dado ponto perguntei-lhe porque é que não estava a escalar, respondendo-me ele que: congelações e tal… Perguntei-lhe o que se passou, pois em Portugal era difícil ter lhe acontecido tal. Depois de tanta insistência ela lá acabou por explicar que foi numa montanha com mais de oito mil metros, que lhe gelou as pontas dos dedos. Falamos mais um pouco e ficamos amigos desde aí. Normalmente, trocamos correspondência e ele aparece por aí É um exemplo de pessoa.”
Mas não há muitas pessoas iguais a João Garcia. Porquê? Será que os escaladores portugueses não são tão bons como os estrangeiros? João Graça dá a resposta: “No presente, temos bons praticantes de escalada, mas nunca poderão ser profissionais pois o dinheiro não chega. Na França, por exemplo, existem muitos profissionais porque tem imensos apoios. O Garcia é um caso à parte, pois trabalhou imenso para chegar onde chegou e a vida dele é o montanhismo” rematou Jonas.

“Prazer de admirar paisagens maravilhosas”

Mas o que levará alguém a praticar montanhismo ou escalada? A resposta foi dada por um dos muitos atletas acreditados pela Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada que treinam na Nave Desportiva.
Sem rodeios, o jovem Nuno Miguel deu uma resposta adaptada à realidade a que ele viveu. “Para mim esta actividade é muito gratificante pois além de trabalhar o corpo, também trabalho a mente.”, começou por explicar o escalador para depois acrescentar “que não há nada no mundo que pague o prazer de subir a uma montanha que, aparentemente, parecia impossível. A juntar a tudo isto, tenho o prazer de admirar paisagens maravilhosas que só as vejo porque gastei litros de suor para escalar as rochas”, conclui Nuno Miguel.

Nuno Oliveira

Friday, March 30, 2007

Jornalismo… a quanto obrigas



A violência continua a fermentar no Médio Oriente. Mais uma vez, Israel e vizinhos estão num estado de guerra. O tempo parece dar razão aos que sempre julgaram que com o Hamas no poder, a paz seria mais difícil. Com isto, muitas das simpatias internacionais transferiram-se para o lado israelita, ou pelo menos hesitam defender uma organização tão pouco recomendável e considerada extremista. Quando um soldado israelita foi raptado, muitos acharam compreensível a resposta de Israel.
Mas será que um rapto vale uma guerra? Não perderá Israel a razão com uma resposta tão desproporcionada? Não estará assim a alienar as simpatias recém-conquistadas?
Parece que no Médio Oriente é necessário recorrer ciclicamente à violência para reavivar o gosto pela paz. Mas para que esta regresse é preciso conter a violência dentro de certos limites. É preciso que quem se converteu à guerra não chegue a tais extremos que se veja impossibilitado de se reconverter à paz.
A cobertura noticiosa de cenários de guerra, em que as deslocações dos jornalistas são bastante controladas, exige destes um forte sentido de auto controlo, para que não se transformem em meros retransmissores de propaganda alheia e para que não passem ao lado da realidade (um dos típicos problemas do jornalismo actual)
As reportagens feitas em zonas controladas pelo Hezbollah a que vamos assistindo parecem, regra geral, clones umas das outras. Têm todas declarações “espontâneas” de populares, a amaldiçoar a América e Israel. Têm todas gente aos saltos e aos berros, jurando querer devotar o resto das suas vidas à causa do Hezbollah. Têm todas as mesmas ambulâncias, convenientemente acabadas de partir rumo a mais uma emergência. São tão parecidas que parecem resultar do mesmo guião. A questão é: quem anda a escrever este guião?
Muitas das imagens que nos são servidas à hora do jantar não são espontâneas, nem resultam do trabalho apurado de um qualquer cameraman. Pelo contrário, são encenações da realidade servidas de bandeja aos repórteres, para que estes possam captar imagens apelativas sem muito trabalho.
Desconfio que os escrúpulos da maioria dos jornalistas não os impeçam de usar estas imagens. Como diz muito marialva a propósito do silicone no peito das senhoras, mais vale uma boa imitação do que um mau original. Neste caso, mais vale uma boa imagem encenada do que uma má imagem espontânea, sobretudo quando a primeira passa bem pela segunda.
Pode até acontecer que a encenação não se afaste muito da realidade. Pode até ser que um pouco de silicone televisivo torne a reportagem mais apelativa, a ainda por cima mais fácil de realizar. Mas esta opção tem riscos, riscos que os jornalistas deviam ponderar se vale a pena correr.


Nuno Oliveira