Wednesday, June 6, 2007

Vinho do Porto


O Néctar dos Deuses


O Vinho do Porto é um clássico, conhecido e apreciado em todo o mundo. É um vinho produzido exclusivamente na região demarcada do Douro (a região demarcada de vinhos mais antiga do mundo), envelhecido e exportado na cidade do Porto, à qual deve a sua designação. A elevada qualidade das uvas, assim como as excelentes características agro-climáticas da região, conferem ao Vinho do Porto as suas inconfundíveis características de sabor, corpo e aroma.
O Vinho do Porto tem sido elogiado e aclamado como nenhum outro vinho, e a sua personalidade distinta coloca-o entre as bebidas com mais classe e melhor reputação em todo o mundo. Falar do Porto, é falar do néctar que devido ao seu nome deu a conhecer ao mundo não só este fabuloso vinho, mas também a própria região e o nosso país, Portugal.


Um pouco de História


A História do Vinho do Porto é muito rica e também bastante antiga. Susana é guia de visitas nas caves Cálem, uma das caves mais conceituadas de produção de Vinho do Porto, que exporta actualmente para 35 países.
Susana conta-nos a História do Vinho do Porto, quando surgiu e como se desenvolveu: “A História do Vinho do Porto teve início no séc. XVII com as invasões bárbaras no norte de Portugal. Após a delimitação da região demarcada do Douro em 1756, altura em que o Marquês do Pombal fundou a Companhia Geral das Vinhas do Alto Douro, os ingleses iniciaram a comercialização do Vinho do Porto em troca da produção de têxteis, daí que o Vinho do Porto tenha adoptado a sua designação precisamente pela localização da cidade de onde eram feitas as exportações. Um dos principais mercados na altura era o Brasil, com o qual se faziam várias trocas comerciais. Eles levavam o vinho e traziam madeiras exóticas para fabrico de mobiliário, entre outros produtos. O séc. XIX foi até hoje o maior período de crise para os vinhos do Douro, o que justificou um ajuste na regulamentação de qualidade a que são sujeitos. Contudo, a qualidade dos vinhos manteve-se inabalável e essa crise foi superada. Desde então, o Vinho do Porto tem um lugar de prestígio tanto no mercado interno como no mercado internacional, tendo um lugar de relevo nos quadros das exportações portuguesas.”


O processo de produção


O processo de produção do Vinho do Porto é bastante particular, divergindo grandemente do processo de produção dos restantes vinhos. Susana explica-nos todo este processo, referindo as características e as mutações decorrentes de todas as variáveis incluídas: “O processo de produção do Vinho do Porto é bastante diferente do processo de produção de um vinho de mesa. O vinho de mesa tem um processo de fermentação bastante mais longo do que o Vinho do Porto, que tem um processo de fermentação bastante mais curto. Também diverge o tipo de castas utilizadas. As principais características do vinho do Porto são a sua doçura natural e o facto de ser um vinho fortificado. Para podermos produzir cerca de 12, 13 ou 14 qualidades de Vinho do Porto diferentes temos que adicionar aguardente vínica com 77 graus de volume nas diferentes fases de fermentação, para que assim o açúcar fique nas uvas e nós consigamos fazer os diferentes tipos de vinho e também aumentar o volume de álcool. No caso da Cálem, o volume de álcool é de 20% para cada vinho.”


Um negócio lucrativo


Com uma excelente reputação internacionalmente e taxas de exportação tão elevadas, não é de admirar que a venda do Vinho do Porto se revele um negócio bastante lucrativo. A Quinta do Noval é uma loja que vende exclusivamente Vinho do Porto. Encontra-se sedeada no Douro, mas tem a sua representação em V.N.Gaia, perto das caves do Vinho do Porto. Rute Monteiro, relações públicas e gerente de vendas da Quinta do Noval, dá-nos umas luzes acerca das características deste negócio: “A Quinta do Noval consiste numa loja, um centro de recepção turística, onde nós fazemos provas gratuitas de alguns dos nossos vinhos e onde o cliente de qualquer nacionalidade pode adquirir vinhos da Noval. Nós prestamos acolhimento turístico em francês, inglês, espanhol, italiano, alemão e português, obviamente.”
São de várias nacionalidades os turistas que procuram quase diariamente o divinal sabor do Vinho do Porto. Porém, há maior afluência de turistas de determinados países. “Os espanhóis são efectivamente os clientes número um, seguindo-se os franceses, os ingleses e os alemães” – refere Rute.
São também visíveis as preferências dos clientes, que procuram diferentes tipos de Vinho do Porto. Na Quinta do Noval, Rute diz-nos que os vinhos mais vendidos são “essencialmente vinhos de entrada de gama, portanto, Ruby, Tawny, e depois uma gama superior constituída por vinhos de 10 anos.”


Fama além fronteiras


A fama e reputação do Vinho do Porto atravessam fronteiras e continentes. Reconhecido em dezenas de países, o nosso excepcional vinho faz as delícias de apreciadores por todo o mundo. Prova disso são os turistas que propositadamente visitam as caves com o intuito de degustar o Vinho do Porto no local onde este é produzido de origem.
Peter Witten e David Goetzman, turistas inglês e holandês de visita à cidade do Porto, mostram-se maravilhados com o paladar dos vinhos do Porto que provaram durante a sua estadia. “É óptimo, muito saboroso!” – exclama Peter, e um aceno de cabeça positivo por parte da sua esposa dá a entender que partilha da sua opinião. David Goetzman chega a afirmar: “É o melhor vinho do mundo.” Estes dois visitantes elucidam-nos também acerca da posição do Vinho do Porto nos seus países. “Em Inglaterra é fácil de encontrar, basta ir a uma casa que venda bastantes qualidades de vinho, e o Vinho do Porto está lá.” – refere Peter. Já David, diz que na Holanda “não há em todo o lado, mas se procurarmos uma boa casa especializada em vinhos encontra-se facilmente.”


No segredo dos Deuses


Como constatamos o Vinho do Porto é um produto de uma qualidade excepcional, conhecido e reconhecido, apreciado e valorizado. Quanto à sua produção, é um segredo bem guardado pelos donos e trabalhadores das quintas do douro e das caves do Vinho do Porto. Quando questionada acerca do segredo do Vinho do Porto, Susana apenas respondeu, após uma simpática risada: “O segredo do Vinho do Porto é a qualidade de cada cave. Todas elas se distinguem entre si, todas elas são diferentes. Também depende muito das características do enólogo de cada cave. Finalmente, depende do gosto particular de cada cliente.” O segredo permanece então no produtor, bem guardado para sempre no norte de Portugal.

Pequenas e Médias Empresas em Portugal


Causas e consequências do encerramento das PME no nosso país


As pequenas e médias empresas constituem uma camada extremamente heterogénea do tecido produtivo nacional, sendo caracterizadas por uma grande instabilidade e por estarem presentes em todos os sectores da economia nacional.
Em muitas regiões do nosso país, sobretudo no interior, são muitas vezes as pequenas e médias empresas juntamente com as autarquias locais os únicos dinamizadores e impulsionadores da actividade económica.
As mais de 290 mil PME activas no nosso país até finais de 2004 eram responsáveis por mais de metade do volume de negócios realizado em Portugal (aproximadamente 163,5 milhões de euros), para além de serem responsáveis pela manutenção de mais de 2 milhões de empregos (3/4 do emprego privado). Estes valores reflectem claramente a importância destas empresas enquanto factor de crescimento da economia nacional.
É assim de fácil compreensão o impacto e a gravidade das consequências socio-económicas decorrentes do encerramento destas empresas no nosso país.



As pequenas e médias empresas, devido às suas condicionantes em termos de dimensão e projecção, têm dificuldades estruturais quanto à sua capacidade financeira, de organização e gestão, o que as torna algo vulneráveis relativamente às empresas de grandes dimensões. Contudo, as pequenas e médias empresas continuam a ser uma das principais alavancas da economia nacional, contribuindo em grande medida para o PIB e para a taxa de emprego em Portugal.
O crescente fenómeno do encerramento das PME em Portugal afecta gravemente a economia. De acordo com Luísa Vasconcelos, docente da Universidade Fernando Pessoa, “em Portugal este fenómeno afecta a economia a curto prazo e de forma muito pesada, o que significará uma perda em termos industriais e de tecido produtivo, mas significa, sobretudo, o desemprego de camadas populacionais que lamentavelmente não terão ainda, em determinados sectores, a formação suficiente para transitar para outros sectores produtivos.”


Para Luísa Vasconcelos, a forma de contrariar esta tendência seria “fundamentalmente a instituição de uma cultura de empreendedorismo que tem que ser retomada ou desenvolvida.” Segundo a docente universitária, “a função empresarial portuguesa ainda tem uma grande evolução a fazer se se quiser tornar numa função empresarial inovadora, diferenciadora e moderna. Aquela função empresarial que não se souber adaptar irá, por certo, ver a sua pequena ou média empresa encerrar.”


Rafael Rodrigues, Engenheiro Geotécnico, teve uma empresa vocacionada para as infra-estruturas e para trabalhos de construção civil, a qual encerrou há uns tempos atrás.
Quanto às causas do encerramento, o Engenheiro explica: “comecei a perceber que ocupava muito mais do meu tempo a correr para os bancos do que a executar trabalhos da minha área específica, o que de alguma forma contribuiu para um desânimo cada vez maior. A minha vocação de engenheiro, estava a ser preterida e estava a levar-me para uma função de gestor. Então decidi por opção própria encerrar a empresa.”


Um caso totalmente diferente é o de Luís Miguel, que tem o 12º ano de escolaridade e tinha uma empresa de transportes marítimos para os arquipélagos, a qual teve de encerrar. Luís explica os motivos que o levaram a esta decisão: “Ora bem, eu tive que encerrar a empresa devido a dois motivos essenciais: as dívidas acumuladas ao longo dos anos, as quais eu não podia suportar; e a forma de negócio, que era a compra de produtos a 60 e a 90 dias, os quais tinham que ser pagos a pronto.”


Todos sabemos que o Governo é muitas vezes um apoio decisivo para a manutenção ou o encerramento destas pequenas e médias empresas. Mas nem Rafael Rodrigues nem Luís Miguel receberam ou procuraram apoio do Governo, contudo, por razões distintas.
Relativamente a ter recebido apoio governamental, Rafael declara que: ”Não, nunca. Nem eu próprio recorri a nenhuma ajuda para contrariar o encerramento, dado que foi uma opção pessoal.”
Já Luís Miguel, confessa que: “Não procurei ajuda, mas também não recebi ajuda alguma.”


Entretanto, surge a ocupação profissional após terem encerrado as suas empresas. Rafael Rodrigues imediatamente conseguiu um lugar numa empresa de construção civil e obras públicas, já de maior dimensão, ocupando um cargo compatível com a sua função. Luís Miguel também conseguiu um emprego na Staples Office Center, na qual desempenha o cargo de operador de loja.


Formação, tecnologia e inovação


É um facto que o grau de formação académica ou profissional dos empresários e dos trabalhadores que constituem a empresa é um factor relevante para o sucesso e progresso da mesma. “naturalmente, para a empresa funcionar, é sempre preciso pessoal administrativo, preferencialmente vocacionado também para a área técnica. Tinha duas pessoas no escritório, uma que fazia o trabalho administrativo, outra que tinha o curso profissional técnico. Mas portanto, eram cursos técnicos de formação média. Depois tinha os operários, que tinham em, regra geral, o nono ano, ou seja, a escolaridade obrigatória.”, explica o engenheiro. Entretanto, na empresa de transportes de Luís Miguel, este refere que: “Os trabalhadores da minha empresa poderemos diferenciar em dois grupos, um sendo os administrativos, cuja maior parte tinha o 12º ano completo. Depois tínhamos os operadores normais, cuja maior parte deles tinha o 9º ano, e muitos nem o 9º ano tinham.”


Nos dias de hoje, a aposta por parte das empresas na tecnologia e em requisitos para a internacionalização são factores cada vez mais necessários e indispensáveis para essas mesmas empresas poderem evoluir e serem competitivas no mercado.
Em que medida as PME nacionais apostam na tecnologia e em requisitos para a internacionalização? Luísa Vasconcelos responde: “Depende muito do sector, da empresa e do empresário. Nós temos exemplos de competência e capacidade de inovação muito importantes, seja no tipo de sectores associados às novas tecnologias, seja nos sectores tradicionais.”
Neste aspecto, Rafael Rodrigues afirma que: “A tecnologia utilizada na altura era actual, a empresa não me exigia mais.” Confessa ainda que: “nessa altura não tinha ambição de me internacionalizar, por duas razões fundamentais: uma delas é porque tinha aqui um mercado de trabalho extremamente interessante; a segunda razão era a própria dimensão da empresa.” No caso de Luís Miguel: “Não, a minha empresa era uma empresa virada para o mercado interno, e a nossa grande aposta eram os arquipélagos.”


Contudo, a diferenciação e inovação do produto ou serviço são também factores importantíssimos para o sucesso das empresas. São factores cada vez mais explorados com o objectivo de fidelizar mercados e clientes, e assim fazer evoluir o volume de negócio.
Luísa Vasconcelos explica-nos a relação entre a diferenciação do produto relativamente ao sucesso das pequenas e médias empresas em Portugal: “se não houver essa diferenciação, nos dias de hoje, o pequeno e médio empresário português não terá capacidade para entrar nos mercados internacionais. Não é possível para Portugal manter um padrão de crescimento como teve durante os últimos vinte ou trinta anos, baseado nos baixos custos de produção. Portugal não é capaz, hoje em dia, de competir com países como a China ou a Índia, que têm custos de produção baixíssimos.”
Quanto a isto, Rafael Rodrigues afirma que: “naquela altura, a inovação no sector não era algo significativo e eu não me tornaria mais competitivo se apostasse nas novas tecnologias. O que distinguiu o nosso serviço dos outros foi fundamentalmente, a competência técnica, a rapidez de execução e a qualidade do serviço que apresentávamos aos nossos clientes.”
Já Luís Miguel refere que, na sua empresa: “as diferenças poder-se-á dizer que eram poucas, mas uma delas era o tratamento do cliente como um amigo de longa data. A relação da empresa com os clientes dispensava formalidades, prezava antes por um entendimento cordial e uma relação de amizade.”


Exemplos reais


No entanto, apesar de todas as consequências económicas já referidas decorrentes do encerramento das PME, as consequências sociais são também bastante graves, devido à eliminação dos postos de trabalho dessas empresas e ao consequente desemprego de milhares de trabalhadores.
Eduardo Pereira trabalhava na empresa de Rafael Rodrigues, mas este caso correu de forma diferente. “Quando a empresa encerrou ninguém ficou desempregado. O sr.engenheiro conseguiu postos de trabalho para todos os funcionários na empresa para onde se mudou e onde ainda estamos.” Outro caso bem diferente é o de José Cardoso, antigo trabalhador da empresa de transportes de Luís Miguel: “Eu fiquei cerca de dois ou três meses sem emprego, tentei duas vezes numas empresas perto de casa, mas não havia nada. Um dia fui com um amigo à empresa onde ele trabalhava e consegui lá um emprego.”


Vimos assim em que medida este fenómeno afecta Portugal e os portugueses. No entanto, existem formas de o contrariar. É necessário investir na formação e qualificação, apostar na tecnologia e na diferenciação dos nossos produtos e serviços. É importante melhorar a eficácia das empresas nacionais e incentivar a expansão das mesmas no mercado, trabalhando em conformidade com esses objectivos.