
Os guardiões da praia
Os nadadores salvadores conhecem os perigos do meio aquático e têm como função zelar pela segurança dos banhistas especialmente na época balnear. Formados pelo Instituto de Socorros a Náufragos existem exclusivamente para proteger os banhistas mas, para isso, é preciso que todos colaborem e respeitem o apito dos homens das praias e ouçam os seus conselhos.
Para uma estadia segura na praia vigiada, há algumas regras básicas de segurança que devem ser respeitadas: cuidados simples como evitar comer antes 3 horas de ir para a água, não ingerir bebidas alcoólicas, ter em atenção os longos períodos de exposição ao sol ou respeitar a bandeira vermelha. Os banhistas devem recolher informações sobre as praias que frequentam, sobretudo no que respeita a correntes, rochas, fundões e zonas de perigo, assim como informação sobre as marés. Estes dados, em conjunto com o conhecimento das regras básicas de segurança, ajudá-lo-ão a ter uns dias de praia mais seguros.
Mas infelizmente não é isto que acontece nas praias de Portugal. As regras são facilmente quebradas pelos banhistas e mesmo sendo uma praia vigiada o perigo espreita quando não são consideradas as normas de segurança impostas pelos nadadores salvadores. Bruno Silva, nadador salvador da concessão da praia Azul de Espinho é o testemunho desta realidade e vê os seus apelos serem muitas vezes ignorados. “ Esta é uma profissão ingrata, porque queremos ajudar as pessoas mas elas não nos querem ajudar”, explica. Para Bruno Silva “os banhistas deviam conhecer as praias que frequentam e ter uma pequena noção das suas limitações dentro de água.” Sobre os processos de socorro explica que nunca coloca a sua vida em risco tal como lhe foi ensinado aquando da sua formação: “ A primeira regra básica que aprendemos quando queremos obter a licença de salvamento é que nunca e em qualquer situação devemos colocar a nossa própria vida em risco.” Numa situação de afogamento a vítima desesperada recorre a todos os actos possíveis para se salvar. “ Nunca podemos, por exemplo, entregar de mão beijada a bóia de salvamento à vitima, devemos sempre manter a distância de segurança dentro de água, e enviá-la para o seu raio de acção, caso contrário podemos ser vitimas de estrangulação ou empurrados para o fundo do mar juntamente com a vítima.” Questionado sobre se a necessidade de intervir para salvar um banhista, o nadador salvador lamenta sempre que tem de evitar o pior. “ É de lastimar a inconsciência das pessoas, porque normalmente colocam-se em perigo pela sua ingenuidade. Há pessoas que se afastam demasiado da costa e quando dão por si já não têm forças para voltar, outros exageram porque sentem-se à vontade na água mas esquecem-se que podem ser vítimas de cãimbras fruto do frio e do esforço muscular ou outras até que mesmo antes de completarem a digestão se atiram ao mar.” Para Bruno, o problema dos afogamentos está nas mentalidades e não tanto na falta de vigilância pelas praias do país. “ Há situações em que nem o nadador salvador pode conservar a vida de uma pessoa. Se essa pessoa desrespeita as ordens como a bandeira vermelha torna-se impossível, muitas das vezes, para o nadador salvador evitar o pior. Quando as praias não são vigiadas, os cuidados devem ser redobrados e necessário um conhecimento prévio das condições do mar, caso contrário coloca-se a vida em perigo.” Outra das situações que intimidam o nadador salvador é a falta de atenção dos pais para com as suas crianças. “ É inadmissível não prestar atenção a uma criança quando ela é da própria família. Não nos podemos esquecer que as crianças são bastante vulneráveis, não só na água como na praia, pois o sol é bastante prejudicial à pele das crianças. Felizmente ainda não tive nenhuma situação no limite de afogamento de uma criança, mas repetem-se as situações em que as crianças se perdem no arial por falta de atenção dos seus pais.” A época alta dos nadadores salvadores é o período balnear e por isso os nadadores salvadores conciliam esta profissão a “part-time” com outra profissão. “ Eu sou professor de educação física, o que me possibilita aliar as duas profissões porque normalmente quando termina o ano escolar inicia-se a época balnear.”
Ora, quisemos saber também a outra perspectiva dos factos, o lado dos banhistas. Eles que muitas vezes são acusados de desrespeito, são também uma parte importante e interveniente no bem-estar das praias. A senhora Maria Lurdes, é filha de pescadores e mora com o mar à sua porta. “ Ó meu menino, vivo no mar desde que nasci e conheço bem este lugar”, assegura a senhora Lurdes. O seu marido é pescador e ganha a vida no mar. “ O meu marido é pescador e conhece como ninguém o mar. O mar é muito traiçoeiro às vezes só Deus o sabe.” A questão eram os comportamentos de risco dos banhistas. “ Já assisti a dois salvamentos nesta praia, mas também já morreram outras tantas pessoas. Infelizmente não se pode confiar no mar e as pessoas julgam-se donas e senhoras do mar mas esquecem-.se que mesmo os pescadores mais experientes já ficaram no mar.” Em relação ao papel dos nadadores salvadores nas praias a senhora Maria mostra-se bastante pragmática: “ Esses senhores não podem fazer nada, coitados. As pessoas deviam ser mais cuidadosas e não se fazerem ao mar assim. Já vi dias em que nem uma embarcação sequer conseguia entrar no mar, quanto mais um nadador salvador.”
As praias são normalmente alvo da peregrinação de famílias para o mar, que acordam cedo para aproveitar bem o dia de praia. Foi exactamente isto que aconteceu com a família Miranda. Com dois filhos, todos os cuidados são poucos para o casal Miranda, segundo Afonso pai dos miúdos. “ É preciso redobrar-nos em esforços porque quando olhamos para o lado eles fogem rapidamente do nosso alcance.” Já a progenitora não tira o olho e a atenção por um segundo que seja dos seus filhotes. “ Eu também já fui mais nova e sei como é. Eles adoram a praia mas não têm consciência dos perigos que correm e por isso não se pode baixar as atenções deles.” A família respeita a preceito as normas básicas de segurança na praia: “ Não vamos para a água antes da digestão estar feita, os nossos filhos vão sempre acompanhados por nós para a água e temos os cuidados normais com o sol, usamos o protector solar.”Interrogados sobre o papel dos nadadores salvadores na segurança dos banhistas, a família Miranda aprova a sua presença. “ É importante a presença dos nadadores salvadores na praia. Nós, por exemplo, escolhemos sempre uma praia vigiada e eu pessoalmente sinto-me bem mais seguro na presença da vigilância de um nadador salvador”, atesta Afonso Miranda. Já a sua esposa pensa que “ os nadadores salvadores são fundamentais para manter a ordem e actuarem em situações de emergência ou perigo iminente”, conclui.
Existem cerca de cinco mil nadadores salvadores formados pelo Instituto de Socorros a Náufragos para cerca de 350 quilómetros de costa portuguesa com praia.O seu papel passa por zelar e manter a segurança das praias, bem como informar os banhistas e turistas das condições da praia e mar e mesmo incentivar ao uso de protecção solar.
Os nadadores salvadores conhecem os perigos do meio aquático e têm como função zelar pela segurança dos banhistas especialmente na época balnear. Formados pelo Instituto de Socorros a Náufragos existem exclusivamente para proteger os banhistas mas, para isso, é preciso que todos colaborem e respeitem o apito dos homens das praias e ouçam os seus conselhos.
Para uma estadia segura na praia vigiada, há algumas regras básicas de segurança que devem ser respeitadas: cuidados simples como evitar comer antes 3 horas de ir para a água, não ingerir bebidas alcoólicas, ter em atenção os longos períodos de exposição ao sol ou respeitar a bandeira vermelha. Os banhistas devem recolher informações sobre as praias que frequentam, sobretudo no que respeita a correntes, rochas, fundões e zonas de perigo, assim como informação sobre as marés. Estes dados, em conjunto com o conhecimento das regras básicas de segurança, ajudá-lo-ão a ter uns dias de praia mais seguros.
Mas infelizmente não é isto que acontece nas praias de Portugal. As regras são facilmente quebradas pelos banhistas e mesmo sendo uma praia vigiada o perigo espreita quando não são consideradas as normas de segurança impostas pelos nadadores salvadores. Bruno Silva, nadador salvador da concessão da praia Azul de Espinho é o testemunho desta realidade e vê os seus apelos serem muitas vezes ignorados. “ Esta é uma profissão ingrata, porque queremos ajudar as pessoas mas elas não nos querem ajudar”, explica. Para Bruno Silva “os banhistas deviam conhecer as praias que frequentam e ter uma pequena noção das suas limitações dentro de água.” Sobre os processos de socorro explica que nunca coloca a sua vida em risco tal como lhe foi ensinado aquando da sua formação: “ A primeira regra básica que aprendemos quando queremos obter a licença de salvamento é que nunca e em qualquer situação devemos colocar a nossa própria vida em risco.” Numa situação de afogamento a vítima desesperada recorre a todos os actos possíveis para se salvar. “ Nunca podemos, por exemplo, entregar de mão beijada a bóia de salvamento à vitima, devemos sempre manter a distância de segurança dentro de água, e enviá-la para o seu raio de acção, caso contrário podemos ser vitimas de estrangulação ou empurrados para o fundo do mar juntamente com a vítima.” Questionado sobre se a necessidade de intervir para salvar um banhista, o nadador salvador lamenta sempre que tem de evitar o pior. “ É de lastimar a inconsciência das pessoas, porque normalmente colocam-se em perigo pela sua ingenuidade. Há pessoas que se afastam demasiado da costa e quando dão por si já não têm forças para voltar, outros exageram porque sentem-se à vontade na água mas esquecem-se que podem ser vítimas de cãimbras fruto do frio e do esforço muscular ou outras até que mesmo antes de completarem a digestão se atiram ao mar.” Para Bruno, o problema dos afogamentos está nas mentalidades e não tanto na falta de vigilância pelas praias do país. “ Há situações em que nem o nadador salvador pode conservar a vida de uma pessoa. Se essa pessoa desrespeita as ordens como a bandeira vermelha torna-se impossível, muitas das vezes, para o nadador salvador evitar o pior. Quando as praias não são vigiadas, os cuidados devem ser redobrados e necessário um conhecimento prévio das condições do mar, caso contrário coloca-se a vida em perigo.” Outra das situações que intimidam o nadador salvador é a falta de atenção dos pais para com as suas crianças. “ É inadmissível não prestar atenção a uma criança quando ela é da própria família. Não nos podemos esquecer que as crianças são bastante vulneráveis, não só na água como na praia, pois o sol é bastante prejudicial à pele das crianças. Felizmente ainda não tive nenhuma situação no limite de afogamento de uma criança, mas repetem-se as situações em que as crianças se perdem no arial por falta de atenção dos seus pais.” A época alta dos nadadores salvadores é o período balnear e por isso os nadadores salvadores conciliam esta profissão a “part-time” com outra profissão. “ Eu sou professor de educação física, o que me possibilita aliar as duas profissões porque normalmente quando termina o ano escolar inicia-se a época balnear.”
Ora, quisemos saber também a outra perspectiva dos factos, o lado dos banhistas. Eles que muitas vezes são acusados de desrespeito, são também uma parte importante e interveniente no bem-estar das praias. A senhora Maria Lurdes, é filha de pescadores e mora com o mar à sua porta. “ Ó meu menino, vivo no mar desde que nasci e conheço bem este lugar”, assegura a senhora Lurdes. O seu marido é pescador e ganha a vida no mar. “ O meu marido é pescador e conhece como ninguém o mar. O mar é muito traiçoeiro às vezes só Deus o sabe.” A questão eram os comportamentos de risco dos banhistas. “ Já assisti a dois salvamentos nesta praia, mas também já morreram outras tantas pessoas. Infelizmente não se pode confiar no mar e as pessoas julgam-se donas e senhoras do mar mas esquecem-.se que mesmo os pescadores mais experientes já ficaram no mar.” Em relação ao papel dos nadadores salvadores nas praias a senhora Maria mostra-se bastante pragmática: “ Esses senhores não podem fazer nada, coitados. As pessoas deviam ser mais cuidadosas e não se fazerem ao mar assim. Já vi dias em que nem uma embarcação sequer conseguia entrar no mar, quanto mais um nadador salvador.”
As praias são normalmente alvo da peregrinação de famílias para o mar, que acordam cedo para aproveitar bem o dia de praia. Foi exactamente isto que aconteceu com a família Miranda. Com dois filhos, todos os cuidados são poucos para o casal Miranda, segundo Afonso pai dos miúdos. “ É preciso redobrar-nos em esforços porque quando olhamos para o lado eles fogem rapidamente do nosso alcance.” Já a progenitora não tira o olho e a atenção por um segundo que seja dos seus filhotes. “ Eu também já fui mais nova e sei como é. Eles adoram a praia mas não têm consciência dos perigos que correm e por isso não se pode baixar as atenções deles.” A família respeita a preceito as normas básicas de segurança na praia: “ Não vamos para a água antes da digestão estar feita, os nossos filhos vão sempre acompanhados por nós para a água e temos os cuidados normais com o sol, usamos o protector solar.”Interrogados sobre o papel dos nadadores salvadores na segurança dos banhistas, a família Miranda aprova a sua presença. “ É importante a presença dos nadadores salvadores na praia. Nós, por exemplo, escolhemos sempre uma praia vigiada e eu pessoalmente sinto-me bem mais seguro na presença da vigilância de um nadador salvador”, atesta Afonso Miranda. Já a sua esposa pensa que “ os nadadores salvadores são fundamentais para manter a ordem e actuarem em situações de emergência ou perigo iminente”, conclui.
Existem cerca de cinco mil nadadores salvadores formados pelo Instituto de Socorros a Náufragos para cerca de 350 quilómetros de costa portuguesa com praia.O seu papel passa por zelar e manter a segurança das praias, bem como informar os banhistas e turistas das condições da praia e mar e mesmo incentivar ao uso de protecção solar.
No comments:
Post a Comment